| |
ALGUNS DADOS HISTÓRICOS DA
1ª IGREJA BATISTA BÍBLICA EM
VITÓRIA DA CONQUISTA - BA
A Primeira Igreja
Batista desta cidade foi organizada no dia 4 de fevereiro de 1900 pelo
conquistense Tertuliano da Silva Gusmão, na Fazenda
Felícia, em uma casa de adobe, por ele
construída, em frente à sua residência.
Tertuliano
era fazendeiro e também comerciante de gado, ou boiadeiro,
como chamavam esse tipo de profissional. Formada a boiada, era
conduzida por terra até regiões
próximas a Salvador, onde o gado era vendido. Numa dessas
viagens, lá para o fim do século XIX - 1898/99,
ele esteve acampado num lugar chamado Areias, quando lhe apareceu um
jovem, cujo nome desconhecemos, mas que se identificou como pastor
evangélico. Ele contou as perseguições
e ameaças que esteve sofrendo naquela cidade pelos inimigos
do Evangelho. Tendo solicitado pousada em seu rancho, Tertuliano lho
concedeu de boa vontade. Terminados os negócios, chegou o
dia da despedida. Em sinal de reconhecimento e gratidão,
aquele jovem ofereceu a Tertuliano uma Bíblia, presente
valiosíssimo e raro naquela época.
Retornando
à Conquista, Tertuliano não perdeu
tempo: leu logo o livro com sua família e foi aos poucos
atraindo parentes e amigos. Bem logo, um grande número de
pessoas já não tinha dúvida de que
aquele livro era a Palavra de Deus e, pelo seu modo de viver e
proceder, já eram batistas sem nunca terem tido qualquer
conhecimento do que fosse uma igreja batista. Buscaram a Deus em Sua
Palavra e O acharam.
Uma coisa os preocupava: Aprenderam na Bíblia que o batismo
significava imersão; todavia, quem estaria, autorizado para
realizar os batismos?
Antônio
Teófilo de Queiroz, genro de Tertuliano, homem de alguma
cultura, pois ocupava um cargo público na cidade, revelou-se
crente fiel e estudioso da Bíblia, foi escolhido por
unanimidade para realizar os batismos. As primeiras pessoas batizadas
foram: Nanu, Ana Vitória, esposa de Tertuliano,
Isidória, esposa de Queiroz, Melânia,
Olívia e Laudicéia.
Certa
vez ouviram de um missionário, Zacarias C. Taylor, que
se encontrava em Salvador. Queiroz para lá se dirigiu e
lá permaneceu por cerca de 30 dias. Ali ele foi batizado,
doutrinado e consagrado pastor. Voltando à Conquista, reuniu
os crentes já batizados e organizou a igreja em 4 de
fevereiro de 1900, tornando-se seu pastor por muitos anos. Foi ele,
pois, o primeiro pastor desta 1ª Igreja.
Logo
após a inauguração do primeiro templo,
construído na Fazenda Felícia, a 6
quilômetros da cidade, foi realizada uma série de
conferências evangelísticas, dirigida pelo pastor
Osvaldo Ronis, do Rio de Janeiro.
Os crentes eram assíduos aos trabalhos e fiéis
dizimistas. Aqueles que moravam distantes, saiam de casa ao romper da
aurora a fim de participarem de todos os trabalhos. A igreja cresceu em
número, e, por isto, mais tarde, alugaram uma casa na Rua da
Várzea (hoje, 2 de Julho), e organizaram ali uma
congregação. Pouco tempo depois, compraram aquela
casa, fizeram uma reforma e transferiram a igreja para o citado local.
Aquela casa reformada foi o seu segundo templo.
Neste
tempo, violentas perseguições se abateram
sobre a igreja, e os crentes as enfrentaram com firmeza. O
irmão Altímio Teixeira, já na
glória, nos deixou escritos alguns lances
dramáticos dessas perseguições. Dentro
da igreja os crentes eram apedrejados. Numa dessas
ocorrências a esposa do pastor foi atingida por uma pedra,
resultando no local da pedrada um tumor que lhe causou a morte mais
tarde. Os inimigos formavam grupos que saíam à
meia-noite com latas de piche e pincel, fazendo cruzes nas portas das
casas dos crentes. Pinchavam a cruz maior na porta da casa do pastor.
Os grupos se armavam com armas de repetição para
atacar os crentes na igreja, mas os crentes, prostrados em
oração, desestimulava-os do intento perverso e
tomavam outro caminho. Outros saiam à noite pelas ruas
fazendo batucada em latas e cantando com música do Cantor
Cristão a seguinte letra:
“Jesus
é meu, Jesus é meu só.
Jesus não é meu nem teu,
Jesus é do Dondó
Que comprou uma parte do Céu,
Por moedas de ouro em pó”.
Dondó era Ricardo Ferraz de Oliveira, fazendeiro e crente
fiel.
O padre recomendava aos seus adeptos a queimarem toda literatura
evangélica que recebessem dos protestantes hereges. Assim
foram queimados folhetos e bíblias em abundância.
Os crentes prosseguiam firmes e destemidos na
pregação do evangelho. Tendo o pastor Queiroz
como líder. A igreja cresceu e começou a criar
congregações fora da cidade, em
Quaraçu, Jussara, Perequito, e outros lugares.
No
dia 28 de outubro de 1911, a igreja recebeu com festa a visita do
missionário Salomão Ginsburg, da outra
América, que pregou por duas semanas a grandes
auditórios. Houve muitas decisões e mais de 70
profissões de fé. Quando o missionário
retornou para Salvador, foi acompanhado por umas 50 pessoas, a cavalo -
homens e mulheres - até cerca de 12 km. Aí
apearam, e ao lado da estrada, se ajoelharam, oraram e, chorando,
pediam as bênçãos do Senhor para o
missionário. Depois, com fortes abraços de
despedida, ele continuou a viagem grandemente fortalecido na
fé pelos cuidados dos irmãos em Cristo. Desejo
lembrar que a viagem era feita a cavalo até
Jequié.
Continuando
a enfrentar pesadas lutas contra o inimigo, a igreja
crescia com a graça do Senhor. Servos fiéis
estavam na batalha, travando as guerras contra o inimigo, com as armas
espirituais, poderosas em Deus. Além de Tertuliano estavam
na luta: Firmino da Silva Gusmão, José Matias,
Bocage da Silva Gusmão, e Joaquim Viana de Castro.
Em
dezembro de 1923, foi organizada a “Escola Marcelino
Mendes” da 1ª Igreja Batista de Conquista, na Rua da
Várzea (hoje, 2 de Julho). Formava o corpo docente o diretor
da escola, Pr. Abílio Pereira Gomes, Dr. Adalberto Portela,
Inês C. Gomes, Percíria Gusmão Sales e
o diretor de música, Francisco Antônio
Vasconcelos. Em 1925, já com o nome de
“Colégio Marcelino Mendes”, ficou sob a
direção do Pr. Oséas Dias de Souza.
Algum tempo depois, assumiu a direção do referido
colégio, o Pr. João Norberto da Silva, por cerca
de 18 anos. Pouco tempo depois o colégio foi desativado em
virtude do êxodo de alunos para as escolas
públicas que surgiram na cidade.
Na
década dos anos 20, a igreja começou a
construir o seu 3º templo, na Praça 2 de Julho,
hoje, Caixeiro Viajante, local do templo atual. O vigário da
Freguesia tentou embargar os trabalhos da
construção, conforme nota publicada no jornal
“A Notícia”, 28 de agosto de 1921.
Alguns valentes homens de Deus enfrentaram as
ações demolidoras do padre e o inimigo foi
vencido com o poder do Alto. Esse 3º templo foi inaugurado em
16 de outubro de 1928, cuja foto ainda conservamos em nosso poder. Foi
uma data festiva para os crentes. Muitos pastores se fizeram presentes
à inauguração, entre eles o Pr.
Firmino Silva, que presidiu os trabalhos; J. A. Tumblim, Pr. Felinto
Alves e M. G. White. Foi uma semana de trabalhos animados, com hinos
bem ensaiados sob a regência do maestro Vasconcelos. O jornal
“A Notícia”, de 24 de outubro de 1928,
publicou uma nota parabenizando os batistas pela
inauguração do belo templo, e termina dizendo:
“Não nos é possível conter a
nossa censura aos católicos de Conquista, que deixam a
igreja matriz prestes a cair, enquanto os de religião oposta
edificam um belo templo, tendo gastado, até agora, 45 contos
de réis”.
Este
3º templo foi demolido, surgindo em seu lugar o imponente
edifício, belo e admirável, considerado um dos
maiores templos do país e que, num retrospecto nos faz
lembrar da pequena casa de adobe da Fazenda Felícia,
construída por Tertuliano da Silva Gusmão.
No
final dos anos 20, o Pr. Antônio Queiroz foi acometido de
um problema cerebral, ficando, diante da enfermidade, impossibilitado
de continuar à frente da igreja. Foi, então,
substituído pelo Pr. Antônio Marques da Silva.
Depois dele vieram os Prs. José Félix, Casemiro
Gomes de Oliveira, Firmino Silva, Luiz Regis, Eduardo Gobira de Souza,
João Norberto da Silva, Saturnino Pereira, José
Rego do Nascimento. O missionário M.G. White ocupou, como
pastor interino, por várias vezes o pastorado da igreja nos
períodos entre a saída de um pastor e entrada de
outro. No dia 11/05/1958, assumiu o pastorado desta igreja, o Pr.
Gérson Correia da Rocha, vindo como auxiliares: Pr.
José Infante Jr., em agosto de 1983. Tempos depois, veio o
Pr. Gérson Nogueira da Silva e Pr. Stênio de
Araújo Verde, hoje, pastoreando ambos, outras igrejas.
Pouco
foi dito sobre o templo atual, porque sua história
está toda contada no livro escrito pelo Pr.
Gérson Correia da Rocha, “O Romance de Uma
Construção”, em cujo pastorado a obra
foi começada. Foi este pastor quem lançou a pedra
fundamental - 7 de setembro de 1958 - . este templo que abriga uma
linda igreja e que honra os primeiros crentes, fundadores desta grei,
foi inaugurado na 1ª semana de fevereiro de 1966.
O
Pr. Gérson Correia da Rocha recebeu a igreja com mais de 300
membros, conforme constava em seu rol de membros. Mas, tendo sido feita
uma revisão nesse rol, juntamente com uma exaustiva procura
de membros desaparecidos por muito tempo, o rol foi reduzido para 150
membros, sendo que, nessa listagem ainda constavam alguns já
falecidos e muitos outros que, desaparecidos, nunca reapareceram. Neste
ano de 2003 a igreja está com 917 membros. No
período deste pastorado (1958 - 2003) foram organizadas
várias igrejas, deu para causa do Evangelho mais de 30
pastores que militam em vários estados do Brasil. Sua
visão missionária se expandiu muito, resultando
no envio ao campo de 25 casais de missionários e 5
irmãs solteiras às tribos indígenas e
áreas outras; uns sustentados pela igreja, outros ajudados
no sustento e outros sendo amparados pelas nossas
orações. Temos missionários entre os
índios Caiapó-PA, Ticuna-AM, Tribo
Gavião-RO, Zoró-RO, Arara-RO, Deni-AM,
Kaxinawá-AC, Yanomami-AM, Javaé-TO,
Waiãpi-AP, Ji-Paraná-PR, Tapirapé-MT,
Ashaninka-AC, Canamari-AM, AIMI - Missões Judaicas-SP,
Moçambique-África, Papua-Nova Guiné,
Senegal-África e Portugal. Ajudamos também no
sustento de alguns irmãos que trabalham na área
de apoio missionário, nos institutos de preparo
especializado, na promoção da obra entre as
igrejas e na área de apoio espiritual aos
missionários que se encontram nas tribos. O trabalho de
evangelização se estende e vão
surgindo pontos de pregação e
congregações dentro e fora da cidade.
Podemos
dizer com alegria: “EBENÉZER!” -
Até aqui nos ajudou o Senhor!
Fonte de
Pesquisa: Sr. Nelson Gusmão Cunha - através de
jornal, D. Semírames Mendes Sales, Genísia Sales
de Melo, Lídia Gusmão Malta, Autímio
Teixeira, (dados inclusos neste relato histórico),
“História de Conquista - Vol. II”.
Estes dados históricos foram preparados, após
minuciosa pesquisa, pelo distinto irmão, o
diácono Genor Calixto Moreira.
|