A Pedra do Sino é o ponto mais alto do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, a 2.263 metros de altitude. Conta Carlos Novaes que, quando era pastor da Primeira Igreja Batista de Teresópolis, certa vez aceitou o desafio de um grupo da igreja para subir até a Pedra do Sino. A escalada deve ser feita preferencialmente em Junho, quando quase não há neblina e a visão lá de cima pode ser apreciada com mais clareza. Não tem neblina, mas tem frio, muito frio. A trilha percorre 11 quilômetros e leva cerca de seis horas na subida. O grupo saiu às dez horas da noite porque desejava ver o nascer do sol lá de cima.
Após a primeira hora de caminhada , todo agasalhado, Novaes perguntou: “O que é que eu estou fazendo aqui? Podia estar lá em casa lendo um livro.” Depois de três horas, os pés começaram a doer e ele resmungou com seus botões: “Eu sou um idiota. Porque me meti nessa?”. Mas não podia voltar, nem parar no meio do caminho, pois à noite sempre rondam os perigos da floresta. O jeito foi continuar subindo, subindo, sempre reclamando consigo mesmo por estar ali naquele frio, naquela escuridão, com aquele cansaço. Finalmente, chegaram ao pico, às quatro e meia da madrugada. Não tiveram de esperar mais do que meia hora, já os primeiros raios do alvorecer começavam a tingir o céu. Mais alguns minutos e podiam ver a montanha dos três picos ao longe, Niterói, a cidade do Rio de Janeiro, o dedo de Deus lá em baixo, o mar, o Parque da serra dos Órgãos, que visão fantástica! Inimaginável. Ficaram ali algum tempo tirando fotografias, comendo o lanche que tinham levado, trocando impressões, tomando fôlego para os 11 quilômetros de trilha montanha abaixo. Foi aí que o poeta Novaes reconheceu: “Nenhum sacrifício é grande demais na subida, quando se pode descortinar uma visão tão maravilhosa lá do alto. Valeu a pena todo o sacrifício”. Assim é na vida cristã: Muitas vezes temos que penar na escalada para chegarmos ao monte da santidade, de onde podemos ver mais alto e ter uma visão, não do sol, mas do próprio Deus. Sem a escalada da santificação, ninguém poderá ver o Senhor. Na escalada de um monte sempre há um limite. Na subida em busca de um viver santo, não há limite na terra. O limite é o infinito da graça de Deus. É preciso ter abertos os olhos da alma para ver, acima das alturas, acima das belezas mais sublimes deste mundo, o supremo Criador da terra e dos céus. Na Serra dos Órgãos há lindíssimas bromélias, flores alpinas, pássaros livres e lindos, mas essas belezas todas só podiam ser vistas na descida. Enquanto os visitantes do parque estão subindo, á noite, às belezas naturais ficam para trás, esperando que os aventureiros desçam para vê-las banhadas pela luz do sol. Assim é na vida cristã. No esforço para galgar as alturas do monte da santidade, muitas vezes não enxergamos quantas belezas existem nessa caminhada. É preciso descer, entrar no mundo real, para ver o amor que desabrocha no olhar de uma criança, o ideal que brilha no olhar de um jovem, a gratidão que traz serenidade ao semblante do ancião.
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