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Portinhas e Portões PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pr. João Falcão Sobrinho - O. J. Batista, 02/08/2009   
Seg, 04 de Janeiro de 2010 10:42
Próxima à nossa casa  no Parque Curicica, em Jacarepaguá (RJ), há pelo menos 12 “portinhas”. Que são essas “portinhas”?Qualquer cidadão membro de uma igreja tida como evangélica aluga uma pequena sala, que equipa com 20 ou 30 cadeiras brancas de plástico e uma pequena mesa, instala um aparelho de som, inventa um nome de uma nova igreja, que manda pintar  na fachada do prédio, e começa a realizar reuniões prometendo cura, expulsão de demônios e prosperidade. Esses homens, quase sempre sem preparo bíblico ou teológico, intitulam-se pastores, missionários, bispos e apóstolos. Inventam para sua igreja nomes pomposos, por vezes exóticos, sempre destacando termos que possam indicar autoridade espiritual como “unção do alto”, “casa dos milagres de  Deus”, “igreja apostólica”,  e por aí vai. Além das “portinhas”, temos em nosso bairro alguns “portões”. São templos grandes, igualmente dentro da linha  de prosperidade, dirigidos por líderes oportunistas, que criam as mais incríveis inovações para atrair pessoas crédulas como  “Os sete mergulhos de Naamã” e “Corrente de Oração Poderosa”, com evidente exploração do conceito esotérico de “corrente de pensamento positivo”. Usam uma “hóstia santa”, que é o pão sacramental oferecido a todos indistintamente como instrumento de milagres, além da água abençoada (uma exploração da credulidade popular em relação à água-benta”), sal grosso (típico dos rituais africanos para espantar os maus espíritos),  fitas coloridas nos pulsos para atrair “bons fluídos”, como as fitinhas do afro-romanismo da Bahia. Usam óleo “ungido” para quase tudo. Montam uma “tenda santa” (armação de plástico branco por onde as pessoas passam na suposição de que, ao fazê-lo, obterão cura de qualquer doença, ficarão ricos, serão liberados da opressão do diabo, etc).  Essas e  outras práticas indicam um sincretismo religioso em franca evolução sem qualquer escrúpulo. Tais igrejas pouco tem de evangélicas ainda que assim que se intitulem, estão crescendo e se multiplicando por todo o Brasil. Tragicamente, muitas igrejas que antes praticavam uma liturgia equilibrada e saudável para o espírito, que se alicerçavam na Palavra de Deus foram seduzidas por essas inovações de oportunismo, sincretismo e lucros financeiros, deixaram de lado as práticas bíblicas e o querigma genuinamente evangélico, traíram suas raízes históricas e entraram  nesse conluio de igreja/mundo. Em um desses templos aqui no meu bairro é realizado um “baile gospel”, para desespero dos pais e apreensão dos pastores dos adolescentes que o frequentam. Em face do espantoso crescimento das “portinhas” e “portões” no país, que devem fazer as igrejas de  Cristo que desejam encarar com seriedade a sua fidelidade bíblica e a sua missão de proclamar o Evangelho de Jesus sem falsificações ou mistura de crenças?
1º – Não se impressionar com  o crescimento numérico e a multiplicação dessas igrejas nem procurar imitá-las como se essas portinhas e portões fossem de fato evangélicos.
2º – Não renunciar à sua fidelidade à  Palavra de Deus, continuar a estudar a Bíblia e a viver os seus ensinos pregando o puro Evangelho de Cristo, lembrando-se de que Jesus jamais prometeu que sua Igreja  seria um rebanhão  reunindo toda espécie de bichos no seu aprisco junto com suas ovelhas. “ Não temas, ó pequeno rebanho, porque ao vosso Pai agradou dar-vos o reino”, diz Jesus (Lucas 12.32). Continuemos trabalhando com fervor pela conquista do mundo para Cristo.
3º – Considerar que essas pessoas, por mais estranhas e até extravagantes que sejam suas praticas e doutrinas, estão no pleno uso da liberdade, devendo ser respeitado o seu direito de crer e viver dentro dos ditames da sua inviolável consciência, resguardadas as leis de direito comum de ética e reciprocidade.
4º – Orar com mais zelo e com mais fervor  por nossas igrejas e por nossos pastores.   
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